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7 de ago. de 2013

NA COPA, O BRASIL VAI OFERECER O QUE TEM DE MELHOR: SUAS CRIANÇAS



Créditos: Leonardo Sakamoto 
Um amigo me ligou para desabafar. Uma menina da idade de sua filha pequena, maquiada como gente grande, havia lhe oferecido um programa na noite anterior, em uma cidade qualquer do interior do país. Aquilo lhe embrulhou o estômago. Como, segundo ele, vejo essas desgraças todos os dias, queria saber como aguento.
E quem disse que aguento? Ganhar casca grossa de proteção diante de tragédia não significa ficar insensível a ela. Ver meninas, que deveriam estar estudando fórmula de báskara para a prova, alugar seus corpos para sobreviver ou para garantir o faz-me-rir de alguém dá um misto de raiva e sensação de impotência.
É muito triste ver uns tiquinhos de gente entrando em boleias de caminhões, na madrugada de estradas, por alguns trocados, como cansei de ver. Ou as “putas com idade de vaca velha”, ou seja, 12 anos, em bordeis da Amazônia.
Exploração sexual de crianças e adolescentes não é novidade no Brasil. E nem é vinculada apenas a uma classe social: há denúncias de políticos e empresários que alugam barcos e hotéis para consumir as crianças que compraram ou aqueles que fazem o serviço em seus luxuosos escritórios ou em casas alugadas coletivamente com amigos em bairros chiques. Isso sem contar os milhões de acessos a vídeos e fotos de pornografia infantil envolvendo crianças brasileiras que fazem sucesso em nobres computadores e tablets.
Muita gente fica indignada quando, em palestras e debates, digo que, para além da pedofilia (que é doença e pode ser tratada), há no país um exército anônimo – alimentado pelo nosso machismo – defendendo que se alguém tem “peito e bunda”,  já está maduro o suficiente para prestar serviços sexuais.
Neste ano, a Repórter Brasil lançou um relatório sobre a erradicação das piores formas de trabalho infantil no país (exploração sexual, trabalho rural, trabalho doméstico e trabalho infantil urbano informal e ilícito). Nele, avaliou-se que o país não deve conseguir cumprir sua meta de acabar com essas situações em três anos, como prometido.
De acordo com o relatório, nos últimos 20 anos, as ações de enfrentamento avançaram, com sensibilização da sociedade, multiplicação das políticas públicas e participação do setor empresarial. De 2004 a 2010, o número de programas federais para a área saltou de três para 13, o que refletiu no aumento das denúncias.
O fator cultural tem um peso importante no combate à exploração sexual. Além de medidas para dar conta da vulnerabilidade social das vítimas, também é preciso criar políticas que levem em consideração a cultura do já citado machismo, além de racismo, homofobia e outros preconceitos que dificultam a atenção às vítimas.
Entidades ligadas à rede de enfrentamento ao problema alertaram para a intensificação desse tipo de violação nas regiões onde estão sendo construídas as grandes obras de infraestrutura e para os megaeventos. Por exemplo, em fevereiro deste ano, a Polícia Civil de Altamira, no Pará, encontrou 14 mulheres e uma travestiem regime de escravidão e cárcere privado em um prostíbulo frequentado pelos trabalhadores dos canteiros de obras da hidrelétrica de Belo Monte. Entre elas, uma adolescente de 16 anos que conseguiu fugir e denunciou a situação.
Um dia um fazendeiro português com terras no Mato Grosso disse a Pedro Casaldáliga, símbolo da luta pelos direitos do campo no Brasil, para justificar a exploração: “Dom Pedro, o senhor é europeu, o senhor sabe. As calçadas de Roma foram feitas por escravos. O progresso tem seu preço”. E que preço salgado temos pagado pelo progresso de alguns. A fatura inclui a inocência de nossas crianças, perdida antes do tempo, no escuro do asfalto, de bordeis, de casas chiques acima de qualquer suspeita.
A hora é boa para discutir o tema. Avançamos, mas falta muito para coibir o turismo sexual de nacionais e estrangeiros.
Pois, além dos sorrisos, esse povo festeiro, lindo e mágico, que comemora cada gol com a mesma alegria com a qual recebe os visitantes deste país incrível que Deus escolheu para abençoar e acolhe com amor e carinho todos aqueles que desejam se juntar ao maior espetáculo da Terra, não vai poupar esforços para oferecer aos que vêm de fora o que temos de melhor.

Nossas crianças.

19 de jul. de 2013

MANIFESTOS DOS ATLETAS PELA CIDADANIA


A Associação Atletas pela Cidadania lança hoje forte manifesto sobre os megaeventos esportivos sem legados para o país.
A entidade é hoje presidida por Ana Moser, e, dela fazem parte esportistas como Mauro Silva, Cafu, Raí, Lars Grael, Magic Paula, Fernando Meligeni, Gustavo Borges, Joaquim Cruz e muitos outros.

Leia abaixo, a íntegra do manifesto que ecoa a voz das ruas nos protestos de junho que abalaram o Brasil:
“Há mais de dois anos, a associação Atletas pela Cidadania vem tentando chamar a atenção do governo para a importância de uma agenda de um legado dos grandes eventos esportivos.
Copa e Olimpíadas têm um valor inegável para o país que as recebe, mas somente se tornam uma oportunidade efetiva quando a prioridade do interesse público é a regra e quando existam propostas concretas de Legado Esportivo e Social.
O interesse público e a transparência têm que prevalecer em todas as ações: nas obras, construções, intervenções sociais ou investimentos públicos e privados. Mais do que isso: todos os recursos gerados pelos eventos devem ser destinados ao desenvolvimento social e econômico do país, chegando de forma positiva na vida das pessoas.
Nós, Atletas pela Cidadania, somos contra a destinação de recursos públicos para benesse de alguns, as remoções que violam os direitos humanos, a corrupção e a falta de transparência nas decisões e nas contas.

Tudo isso é contra o espírito e os valores do Esporte.
Acreditamos nos valores positivos do Esporte e sabemos do seu impacto no desenvolvimento do país. O Esporte é direito de todos os brasileiros. Melhora a saúde e a qualidade de vida, diminui a evasão escolar, aumenta o desempenho dos alunos.

Repetimos: há mais de dois anos apresentamos uma agenda positiva ao país, com dois pontos centrais para o Legado Esportivo e Social da Copa e das Olimpíadas: o Esporte acessível a todos os brasileiros e a urgente revisão do Sistema Esportivo Nacional.
As diretrizes são claras.
Limitar o mandato de dirigentes esportivos, definir os papéis e integrar os entes federativos, abrir à participação democrática de atletas, qualificar educadores e profissionais esportivos permanentemente, ampliar a infraestrutura esportiva pública.
São medidas para garantir o acesso ao Esporte para todas as pessoas, de norte a sul. Além de desenvolver a cultura esportiva no país e levar os benefícios do Esporte a todos. E como consequência natural, também melhorar o esporte de alto rendimento e suas conquistas.
Felizmente, o país hoje clama por mudanças. A agenda pública deve se balizar pelo que seu povo decide e não só pelo que seus governantes acreditam que sejam as prioridades. O dia a dia do poder tem afastado a máquina pública do interesse público. Vivemos uma crise da democracia representativa, cuja solução está em ouvir diretamente os detentores reais do poder – o povo.
Queremos ser ouvidos e por isso solicitamos:
1. A criação de um comitê interministerial para a reestruturação da legislação do sistema esportivo nacional e a criação de um Plano Nacional de Esporte. Com metas, estratégias, métricas de avaliação e resultados claros. Um comitê com participação da sociedade, com voz e voto, liderado pela Presidência da República.
2. Aprovação de legislação que dispõe sobre as condições necessárias para as entidades do Sistema Nacional de Esporte receberem recursos públicos (emenda nº à MP 612 e emenda nº à MP 615).
3. Total transparência dos investimentos e das apurações referentes às denúncias de violações de direitos humanos nos grandes eventos esportivos, como exploração sexual infantil, remoções sociais forçadas, sub-emprego”.



Informações sobre a Associação Atletas pela Cidadania você encontra em http://www.atletas.org.br/.







17 de jul. de 2013

“SEM VIOLÊNCIA, TENHO FUTURO”.

O projeto parceiro KNHBrasil, Meu Corpo Meu Bem, em parceria com as Secretarias Municipais de Assistência e Desenvolvimento Social e de Saúde – Programa Municipal DST/AIDS e o BICE - International Catholic Child Bureau lança a campanha “Sem Violência, Tenho Futuro”. Iniciativa que partiu da realidade de muitos meninos e meninas participantes do projeto que ao não terem condições financeiras de comprar uma bola de futebol, improvisam com bolas de meia e mesmo assim não perdem seus sonhos de um dia serem jogadores e jogadoras da seleção brasileira.

Esta percepção se deu através das oficinas de “projeto de vida” desenvolvidas no projeto Meu Corpo Meu Bem nas quais quase 90% das crianças e adolescentes participantes mencionaram ter como sonho profissional serem jogadores ou jogadoras de futebol. Possivelmente, com a vinda da COPA DO MUNDO 2014 e na região com a construção do estádio do Corinthians, o “Itaquerão”, onde está prevista a abertura oficial dos jogos, aproximou ainda mais esses meninos e meninas deste sonho.




No entanto, sabemos que há muitos outros sonhos possíveis de serem pensados e concretizados. As oficinas vêm buscando provocar os olhares das crianças e adolescentes para outros campos e possibilidades. E foi a partir deste trabalho e seus desdobramentos que foi pensada a campanha “Sem Violência, Tenho Futuro”, onde será distribuído o material da campanha, um folheto e uma cartilha. O objetivo é sensibilizar e orientar a todos a participar e fortalecer a rede de proteção das crianças e adolescentes com um olhar de prevenção contra atos e situações abusivas no período da Copa e os possíveis desdobramentos depois deles.

O folheto e as cartilhas serão trabalhados e distribuídos através da “vacinação contra os maus-tratos de crianças e adolescentes”. Essa vacinação é uma estratégia para sensibilizar e mobilizar todas as pessoas para assumirem seu compromisso na promoção e defesa dos direitos das crianças e adolescentes. Ela será realizada nas escolas, equipamentos sociais públicos, outras organizações e projetos até a abertura dos jogos da COPA DO MUNDO 2014, dia em que todos que participaram desta campanha irão “abraçar’ o estádio em um ato preliminar de vacinação contra os maus-tratos simbolizando o lema da campanha: SEM VIOLÊNCIA TODAS AS CRIANÇAS E ADOLESCENTES TEM FUTURO.

5 de jul. de 2013

COPA 2014 E OLIMPÍADAS 2016 - JUNTOS NA PROTEÇÃO DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES.




A Fundação Abrinq – Save the Children lançou a Cartilha Copa 2014 e Olimpíadas 2016 – Juntos na Proteção das Crianças e Adolescentes, como parte da campanha "Cartão Vermelho ao Trabalho Infantil", que tem o objetivo de conscientizar a população sobre a necessidade de prevenir e denunciar a exploração de crianças e adolescentes em decorrência dos megaeventos esportivos no país.

O intuito da campanha é o de conscientizar a população a cerca dos malefícios do trabalho infantil, não só durante as competições, mas também antes, bem como no entorno das áreas que estão sendo preparadas para sediar os torneios.

 De Acordo com Tereza Cesário, gerente executiva da Fundação Abrinq, a cartilha mostra quais as formas de trabalho infantil que podem ser agravadas antes e durante as competições e como as pessoas e empresas podem auxiliar para que isso não ocorra.

É Possível ainda conferir na publicação que, por conta dos megaeventos, estão sendo feitos investimentos milionários em infraestrutura para sediar os eventos e turismo, mas em compensação pode-se observar que boa parte da população acaba sendo cerceada, tornando-se ainda mais fragilizada.


Baixe a Cartilha aqui.