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5 de dez. de 2012

CARTA ABERTA ÀS SENADORAS E SENADORES DA CCJ A FAVOR DA GARANTIA DOS DIREITOS DOS ADOLESCENTES




Nesta quarta-feira, dia 05 de dezembro, as senhoras e senhores, excelentíssimas senadoras e senadores, poderão votar a Proposta de Emenda Constitucional No.33 de 2012, que altera a redação dos artigos 129 e 228 da Constituição Federal, que prevê a possibilidade de desconsideração da inimputabilidade penal de maiores de 16 anos e menores de 18 anos, por lei complementar.

Nós da Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente, acreditamos que crianças e adolescentes são sujeitos de direitos, isto é, gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata a Lei No. 8.069 de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente).

A adolescência é uma fase da vida de grande oportunidade para aprendizagem, socialização e desenvolvimento. Atos infracionais cometidos por adolescentes, por sua vez, são ou, pelo menos, deveriam ser vistos apenas como circunstâncias de vida que podem ser transformadas e não como algo inerente ao gene ou identidade da pessoa.

No Brasil, temos uma população de adolescentes de 20.666.575 e 18107 estão restritos e privados de liberdade. Ou seja, temos uma proporção de 8.8 para cada 10 mil adolescentes, segundo Levantamento Nacional do Atendimento Socioeducativo ao Adolescente em Conflito com a Lei de 2010. Ao mesmo tempo em que este índice nos preocupa, muito mais grave é o número de crianças e adolescentes que são mortos de forma violenta como o demonstrado no Mapa da Violência 2012, divulgado no último dia 29 de novembro, onde há cidades como Lauro de Freitas e Simões Filho, municípios com 20 mil crianças e adolescentes, ambas localizada no Estado da Bahia, onde temos uma taxa de homicídios extremamente alta de 94,6 e 134,4 (para 100 mil), respectivamente. Ou seja, temos muito mais crianças e adolescentes sendo mortos de forma violenta do que em situação de conflito com a lei.

Além disso, segundo o “Panorama Nacional: A Execução das Medidas Socioeducativas de Internação” do Programa Justiça ao Jovem, do Conselho Nacional de Justiça, datado de 2012, 57% dos jovens declararam que não frequentavam a escola antes de ingressar nas unidades de internação, sendo que 86% dos entrevistados mencionaram que a última série cursada estava englobada no ensino fundamental. E, no que diz respeito à relação com entorpecentes, 75% faziam uso de drogas ilícitas. Com esses dados queremos dizer que é preciso mais investimentos em educação e fortalecimento da permanência na escola por esses jovens, além do incremento em equipamentos culturais e na estruturação de projetos de vida que tragam perspectivas distintas daquelas vividas até o presente momento da internação.

O sentimento de insegurança que acomete a população brasileira em razão da violência faz com que se busque uma solução imediata e daí surge a ideia de que enclausurar é a melhor solução.

A justificativa de que se valem os legisladores afetos à redução da maioridade penal segue no sentido de que o adolescente da atualidade é diferente do adolescente de outrora. Evidente que tal assertiva não considera a situação crítica em que se encontram, atualmente, os sistemas penal e carcerário.

As tentativas de se reduzir a maioridade penal partem do pressuposto de que o adolescente moderno já possui bastante maturidade para compreender os próprios atos. Todavia, não se pode negar sua condição de pessoa em formação e, em decorrência disso, não devemos desistir de sua ressocialização.

Por isso, não podemos nos agarrar a soluções simplistas, posto que problemas complexos necessitam de soluções sistemáticas e, dessa forma, há que se implementar políticas voltadas à criança e ao adolescente.

Vemos esta PEC como uma medida de criminalização da adolescência em conflito com a lei, não trazendo como pressuposto os avanços que o SINASE - Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo – propõe efetivamente, se aplicado dentro dos parâmetros constitucionais previstos na Lei No. 12.594 de janeiro de 2012.

Para nós, o SINASE é uma dessas possibilidades legais para que o adolescente em conflito com a lei torne-se um sujeito de direito efetivamente e a promulgação da Emenda Constitucional No. 33/ 2012 é um retrocesso nos avanços propostos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e pela Lei recém-promulgada.

Estamos de acordo com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e a Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, no que se refere à natureza do trabalho socioeducativo, isto é, uma natureza transversal, intersetorial, complexa e especializada, que envolve diversos poderes, efetivando-se nas três esferas de governo.

Solicitamos de vossas excelências que não votem favoravelmente a esta Proposta de Emenda Constitucional e que se abram discussões mais aprofundadas com a sociedade civil a fim de se criar melhorias significativas junto a esse público em específico.

FUNDAÇÃO ABRINQ PELOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

29 de nov. de 2012

BELO HORIZONTE É TEMA DE LEVANTAMENTO INÉDITO. VIOLÊNCIA CONTRA JOVENS NA GRANDE BH CHEGA A NÚMEROS ALARMANTES.


Por Hudson Freitas

Belo Horizonte é a 6ª cidade mais populosa do Brasil, e a 7ª no ranking com maior taxa de homicídios, entre os jovens de 15 a 24 anos. Dados esses elaborado pelo Fórum das Juventudes da Grande BH, que no inicio de novembro lançou a “Agenda de Enfrentamento àViolência Contra as Juventudes”, o objetivo da criação da agenda é o de suscitar o debate e reivindicar políticas públicas a respeito das violências praticadas contra os jovens.    

Os dados apresentados no relatório tem como base o “Mapa da Violência 2011: Os Jovens do Brasil”, colaboração entre o Ministério da Justiça do Brasil e o Instituto Sagari. No ano de 2008 na capital mineira foram assassinados 477 jovens, uma média de quatro mortes a cada três dias. O índice de morte na faixa etária de 12 a 17 anos, é alarmante, e coloca Belo Horizonte no 6º lugar no ranking entre as capitais com maior índice de  Homicídios na Adolescência –IHA- Isso quer dizer que 1245 adolescentes poderão ser assassinados antes de completarem 19 anos.

 Além de Belo Horizonte outros três municípios da grande BH estão entre os 20 que mais registram homicídios na adolescência, são eles: Contagem em 13º, Betim em 19º e Ribeirão das Neves na 20º colocação do ranking.

A violência contra jovens e adolescentes não limita somente a agressão física ou homicídio, elas são a forma mais drástica, e a violência se expressa de variadas formas nas relações entre as pessoas.  Como explica Áurea Carolina Freitas, Cientista Social e representante da Associação Imagem Comunitária no Fórum das Juventudes: “Para chegar a uma situação de agressão física, tem outras coisas que já aconteceram. Um exemplo é o racismo que diminui o jovem negro e diz a ele as profissões que deve ocupar, os seus projetos, os seus sonhos. Isso Tudo vai condicionando uma existência que, no limite, até considera natural morrer com vinte e poucos anos numa guerra do tráfico”.

Políticas Públicas
De acordo com Juarez Dayrell, professor da Faculdade de Educação da UFMG e coordenador do grupo de pesquisa Observatório da Juventude, as políticas voltadas para os jovens obteve um avanço significativo, Juarez ainda comenta que no ano de 2003 falar de política voltada para a juventude era algo novo, não havia ideia de direitos e demandas específicos do jovens, e as  demandas centrais que existem hoje ainda não foram atendidas, e em Belo Horizonte é mais alarmante, avançou-se muito pouco, avalia o professor.

Percebe-se o reflexo dessa lentidão no plano Plurianual de Ação Governamental – PPAG- 2010/2013 para a cidade de Belo Horizonte. Após analise do Fórum das Juventudes constatou que nenhum dos programas da prefeitura de Belo Horizonte era políticas voltadas para a juventude.

Juarez reforça que é de extrema importância reconhecer o jovem como um sujeito de direitos e possibilitar a ele um atendimento intersetorial de suas demandas, como: emprego, educação, saúde e esporte, a fim de legitima-lo como um cidadão.