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2 de ago. de 2013

ASSINE A PETIÇÃO PÚBLICA CONTRA PROJETOS DE LEI QUE VISAM REDUZIR A MAIORIDADE PENAL.




Nós, cidadãos e organizações sociais, manifestamos preocupação com as declarações de autoridades e com a campanha dos grandes meios de comunicação em defesa de projetos de lei que visam reduzir a maioridade penal ou prolongar o tempo de internação de crianças e adolescentes em medida socioeducativa.

A grande mídia tem feito uma campanha baseada na criação de um clima de medo e terror, para construir um apoio artificial das famílias brasileiras à liberação da prisão de seus filhos e netos como solução para a segurança pública. Autoridades aproveitam esse clima para, de forma oportunista, se colocarem como pais e mães dessas propostas.

Dados da ONU apontam que uma minoria de países definem o adulto como pessoa menor de 18 anos. De acordo com a Unicef, de 53 países, sem contar o Brasil, 42 adotam a maioridade penal aos 18 anos ou mais, o que corresponde às recomendações internacionais de existência de um sistema de justiça específico para julgar, processar e responsabilizar autores de delitos abaixo dos 18 anos. Ou seja, a legislação brasileira é avançada por ser especializada para essa faixa etária.

Não existe uma solução mágica para os problemas na área de segurança pública que nosso País vivencia. A redução da maioridade penal ou o prolongamento do tempo de internação não passam de uma cortina de fumaça para encobrir os reais problemas da nossa sociedade.

A universalização da educação de qualidade em todos os níveis e o combate à violenta desigualdade social, somados a programas estruturantes de cidadania, devem ser utilizados como instrumentos principais de ação em um País que se quer mais seguro e justo.

Os dados do sistema carcerário nacional – em que 70% dos presos reincidem na prática de crimes - demonstram que essas mesmas “soluções mágicas” só fizeram aumentar os problemas. O encarceramento das mulheres cresce assustadoramente e, com relação às crianças e adolescentes, o que se vê são os mesmos problemas dos estabelecimentos direcionados aos adultos: superlotação, práticas de tortura e violações da dignidade da pessoa humana.

Reduzir a maioridade penal é inconstitucional e representa um decreto de falência do Estado brasileiro, por deixar claro à sociedade que a Constituição é letra-morta e que as instituições não têm capacidade de realizar os direitos civis e sociais previstos na legislação.

Às crianças, adolescentes e jovens brasileiros, defendemos o cuidado, pois são eles que construirão a Nação brasileira das próximas décadas. Cuidar significa investimento em educação, políticas sociais estruturantes e, sobretudo, respeito à dignidade humana.


Por isso, somos contrários a redução da maioridade penal e defendemos, para resolver os problemas com a segurança pública, que o Estado brasileiro faça valer o que está na Constituição, especialmente os artigos relacionados aos direitos sociais. 

Acesse o Link e Assine a Petição: http://migre.me/fEuVY

23 de jul. de 2013

MOÇÃO DE REPÚDIO À TENTATIVA DE REDUÇÃO DA IDADE PARA RESPONSABILIZAÇÃO PENAL





O Fórum Nacional de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente – Fórum Nacional DCA, parceiro KNHBrasil, tem 25 anos de existência. Representa 52 entidades da sociedade civil organizada e 26 Fóruns Estaduais e do Distrito Federal de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, sendo mais de mil e duzentas entidades, entre organizações de atendimento, de defesa, conselhos de classe, sindicatos, é hoje a maior coalizão brasileira em tema de Direito da Criança e do Adolescente.

O Fórum Nacional DCA vem a público repudiar mais uma tentativa de reduzir a maioridade penal expressa nas forças conservadoras e reacionárias da sociedade brasileira instaladas em vários segmentos.

Ao instituir-se como espaço de luta, o Fórum Nacional DCA adotou como missão a garantia da efetivação dos direitos das crianças e adolescentes, por meio da proposição, articulação e monitoramento das políticas públicas e da mobilização social, para construção de uma sociedade livre, justa e solidária. Missão essa que vem se mantendo ao longo desse tempo, mas que se renova em estratégias que adota para dar a ela mais materialidade e efetividade.

Portanto, é com essa legitimidade que o Fórum Nacional DCA contesta o ressurgimento na mídia e em ambas as Casas do Congresso Nacional dos mais diversos projetos de lei e de emendas à Constituição Federal com objetivo de redução da idade para a responsabilização penal de adolescentes para diversas idades, para ampliar o tempo de execução de medidas socioeducativas, especialmente a de internação em  estabelecimento educacional, assim como para submeter o adolescente a quem é atribuída a autoria de ato infracional a avaliação psicológica para que o juiz conclua se ele pode ou não ser responsabilizado como adulto.

Nesse contexto, com avaliação de que o parlamento recebe pressão por parte dos setores mais conservadores, bem como com a intenção de oferecer resposta aos anseios de parte da população que enxerga na prisão de adolescentes e jovens a solução para as questões da violência, na Plenária do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente – CONANDA – realizada em 10 de julho de 2013, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, ao que parece, com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância – UNICEF – apresentou proposta denominada “Responsabilidade Progressiva”, prevendo sistema de responsabilização do adolescente a quem é atribuída a autoria de ato  infracional considerando a gravidade do ato praticado e a idade do adolescente. Em razão de pedido de vista, a decisão do CONANDA sobre o tema será tomada em Assembleia Extraordinária designada para 30 de julho de 2013.

O Fórum Nacional DCA não aceita qualquer iniciativa de deslegitimar os direitos da criança e do adolescente no Brasil, principalmente quando se trata da redução da idade para responsabilização penal e nem o argumento do medo. Melhor seria que o Estado Brasileiro observasse os seguintes pontos:

1. Na Constituição Federal prevê-se que não “não será objeto de deliberação a proposta de emenda [...] tendente a abolir os direitos e garantias individuais” (art. 60, § 4º, inciso IV). Trata-se da chamada “cláusula pétrea”;  
2. O princípio constitucional de proibição do retrocesso no domínio dos direitos fundamentais e sociais visa a impedir que sejam frustrados os direitos civis, políticos, sociais, culturais e  econômicos já concretizados, tanto na ordem constitucional como na infraconstitucional, em atenção aos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, que são os de: promover o bem de todos, sem quaisquer formas de discriminação; constituir uma sociedade livre, justa, solidária; erradicar a pobreza e a marginalização; reduzir as desigualdades sociais e regionais (CF, art. 3º), o que se dá mediante a implementação e efetivação do Estado Democrático de Direito.
3. O Brasil foi recomendado em 2004 pelo Comitê dos Direitos da Criança das Nações Unidas, previsto Convenção sobre os Direitos da Criança, a dar especial atenção à plena implementação do artigo 4º da Convenção, tendo em consideração os recentes desenvolvimentos econômicos positivos, priorizando e aumentando a alocação orçamentária para assegurar, em todos os níveis, a implementação dos direitos das crianças, particularmente aquelas pertencentes a grupos marginalizados e economicamente em desvantagem, incluindo crianças afrodescendentes e crianças indígenas, “ao máximo dos recursos disponíveis e, quando necessário, dentro de um quadro de cooperação internacional”.
 4. Implementar a execução das medidas socioeducativas regulamentada pela Lei 12.594, de 18 de janeiro de 2012, que corrobora as Resoluções 119 e 112, do CONANDA, que explicita a necessidade de formação continuada para todo o Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente. Ambas as Resoluções mencionadas e a própria Lei 12.594, de 2012, permanecem completamente ignoradas.

Diante do exposto, Fórum Nacional DCA não compactua com qualquer tentativa de retrocesso na garantia dos direitos da criança e do adolescente. Diversamente, entende que devem ser implantadas estruturas institucionais sólidas, em cumprimento ao disposto na própria Constituição Federal.

É necessário relembrar que alguns posicionamentos do Fórum Nacional DCA foram apresentados formalmente aos governantes, já em dezembro de 2010, com a Carta Aberta à Presidenta Dilma Rousseff. Nela existem propostas positivas, cujos temas estão sendo paulatinamente discutidos e aperfeiçoados em diversos momentos pela Rede do FNDCA.

Relembram-se e atualizam-se os pontos principais da proposta do Fórum Nacional DCA de 2010, que sugere pelo menos uma proposta de emenda à Constituição Federal e projeto de lei para fortalecimento do Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente: constitucionalização dos Conselhos Tutelares, garantindo-se organização, remuneração, e eleição pela Justiça Eleitoral; constitucionalização dos Conselhos dos Direitos da Criança e do Adolescente; entre outros temas. A par disso, é necessário garantir formação para os direitos humanos, a solidariedade, o amor, a paz, e para a participação política, tanto na educação formal, a partir das creches, como nos meios de comunicação de massa; também há previsão de dispositivos relacionados ao orçamento criança e adolescente, inclusive com proibição de contingenciamento e previsão constitucional de que, caso não sejam executados completamente, os recursos serão automaticamente convertidos em financeiro e depositados na conta do fundo dos direitos da criança ao final do exercício. Também previsão de percentual mínimo para o fundo dos direitos da criança. Nada do que está na Carta Aberta, porém, pode ser obstáculo ao diálogo.

Dessa forma, o Fórum Nacional DCA sugere ao CONANDA que dê atenção à conclusão do Plano Nacional de Atendimento Socioeducativo. E não permita retrocessos na garantia dos direitos da criança e do adolescente, pois o contrário não seria apenas violação dos direitos já assegurados, mas verdadeira estupidez com consequências irreparáveis, que demonstraria a incapacidade do Estado Brasileiro de cumprir a lei, preferindo abraçar alternativas danosas apenas para dar resposta a setores conservadores.

O Fórum Nacional DCA convoca toda sua Rede e entidades parceiras que emitam notas, divulguem e ampliem para as diversas mídias, seu repúdio aos retrocessos no Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente.  
Brasília, 22 de julho de 2013.

Secretariado do Fórum Nacional  de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente. 

Informações adicionais em: www.forumdca.org.br 



28 de mai. de 2013

OFICINA DE POLÍTICAS DE PROTEÇÃO INFANTIL E CONSTRUÇÃO DA NOTA DE AFIRMAÇÃO E POSICIONAMENTO CONTRA A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL.





A KNH Brasil diariamente, luta na promoção da infância. E que os maus-tratos de crianças, adolescentes e outras pessoas vulneráveis, que, são problemas diários ao redor do mundo, existindo tanto em países em desenvolvimento como também em países industriais, possam acabar.

Atualmente, 86% das crianças no mundo, vivem em países em desenvolvimento, sendo, que 98% destas crianças vivem em condições de extrema pobreza.  De acordo com a Organização Mundial da Saúde OMS 10% dos meninos e 20% das meninas no mundo são vitimas de violência ou abuso. Crianças em acolhimento institucional ou em outros regimes institucionalizados fazem parte do grupo de alto risco e, assim, necessitam de uma proteção especial.

Por isso, a Kindernothilfe, a fim de aumentar seus esforços para responder a casos de abuso infantil e preveni-lo dentro de nosso trabalho associou-se à rede internacional “Keeping Children Safe Coalition”. E durante os dias 8, 9 e 10 de maio, reuniu na cidade de Belo Horizonte 33 participantes de diversos projetos parceiros, para um momento de capacitação a respeito das políticas de proteção infantil.

Durante os três dias foi construída durante a Oficina de PPI, por todos os participantes presentes uma nota de repudio contra a redução da maioridade penal no Brasil, que compartilhamos a seguir:

NOTA DE AFIRMAÇÃO E POSICIONAMENTO CONTRA A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL. 

Estamos vivendo mais uma vez um momento histórico nacional, onde novamente os brasileiros são convidados a refletirem sobre a redução da maioridade penal. Em momentos de grande comoção nacional torna-se difícil realizar análises fundamentadas nos Direitos Humanos e sociais, neste caso em especial das crianças e adolescentes.

É delicado tomar decisões sobre um tema importante no momento em que a sociedade está sendo bombardeada por uma mídia tendenciosa com notícias de caráter sensacionalista que não leva em consideração a criança e o adolescente como seres em desenvolvimento.

Nós, entidades apoiadas da KNH Brasil e parceiras desta, reafirmamos o nosso posicionamento contra a redução da maioridade penal.

Como preconiza a Lei 8.069/90, Estatuto da Criança e do Adolescente, “crianças e adolescentes são sujeitos de direitos e como tal precisam ser protegidos vivenciando plenamente seus direitos”. Da mesma maneira, vimos atuando na proteção e defesa dos direitos infanto-adolescentes acreditando neste preceito.

 O mesmo Estatuto prevê que na condição de sujeito em desenvolvimento o adolescente que comete ato infracional, cumpra medidas sócio educativas que contribuam para que  ele  reconstrua as relações sociais em patamares de dignidade e respeito. 

O SINASE, Sistema Nacional de Medidas Sócio Educativas, não foi posto em prática pelo governo em tempo hábil para ser analisado pela sociedade e nem, os planos de atendimento sócio educativos não estão implantados nos municípios. É INEGÁVEL que estas políticas se bem executadas pelo estado podem corresponder às necessidades sociais no que se refere a adolescentes que cometam atos infracionais.

É um equívoco pensar que o rebaixamento da idade penal diminui a violência.
Deste modo, temos a convicção de que o sistema penitenciário do Brasil não corresponderá à necessidade de desenvolvimento dos adolescentes e jovens. Este mesmo sistema não contribui para ressocialização de homens e mulheres institucionalizados.

Por todos os aspectos supracitados convidamos a todos que assim como nós se posicionam contra a Redução da maioridade penal que se manifestem publicamente nos ajudando a mobilizar a sociedade brasileira acerca da proteção das crianças e adolescentes contribuindo para seu desenvolvimento na construção de uma humanidade mais justa e igualitária.

Parceiros KNH Brasil 

Parceiros KNH Brasil

Parceiros KNH Brasil Durante dinâmica da Oficina.